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Revelado no Palmeiras, atacante Pedro Hulk, ex-Novoperário, afirma “perdi o gosto de jogar no Estado”

Atacante defende o Guarani na Série C
atualmente (Foto: Divulgação/Guarani)
A vida de Pedro Henrique Mascarenhas Moreira Braga se transformou em um ano e meio. Chamando assim, talvez você não reconheça, mas se falar de Pedro Hulk o torcedor sul-matogrossense mais atento deve se recordar. Com passagens pelo Novoperário em 2014 e 2015, o atacante, revelado no Palmeiras, foi do abandono da carreira após o último estadual pelo time campo-grandense à glória do acesso à Série B do Campeonato Brasileiro com o Guarani neste ano.

Quando decidiu pela última vez que ia abandonar o futebol, o jogador natural de Campo Grande, então com 20 anos, já havia vivido diversas experiências no esporte, conhecendo os dois extremos da profissão, onde em um momento pode-se estar em um clube de prestígio, recebendo um ótimo salário, e em outro o clube pode não ter sequer divisão e o pagamento chegar em dia já é um motivo para se comemorar.

Hulk esteve por um ano e quatro meses no Palmeiras
e deixou o clube por indisciplina (Foto: Arquivo Pessoal)
Desde que deixou Campo Grande, em 2012, quando tinha 17 anos, um futuro promissor aguardava o jovem atacante. Contratado pelo Palmeiras, o jogador dividia treinamentos com nomes consolidados hoje em dia, como Gabriel Jesus, que jogava uma categoria abaixo no clube alviverde, porém, a indisciplina e falta de maturidade o fez ter vida curta no time paulista, ficando por lá apenas um ano e quatro meses.

“Eu não vou dizer que não me arrependo, mas eu costumo dizer que eu vivi a vida. Era uma vida que eu não conhecia. Saí de Campo Grande muito novo, ai comecei a ganhar salário bom, comprar carro e querendo ou não acaba se iludindo. Então eu aprendi. Hoje não faria de novo”, conta Hulk.

Após deixar o Palmeiras, o atacante seguiu na cidade de São Paulo, mais precisamente no Nacional, clube no qual ficou pouco mais de um ano e onde recebeu o apelido que carrega até hoje devido seu forte chute de canhota, semelhante ao ex-atacante da Seleção Brasileira e que atua no futebol chinês. “Eles brincavam que eu estava forte e como jogava pelas pontas, falavam que eu chutava muito forte, que eu era o ‘Hulkinho’. Algumas pessoas até falam que tem semelhança. Mas foi um apelido que pegou e eu gostei”, relembra.

Retorno ao futebol sul-matogrossense e desilusão

No Novoperário, o campo-grandense (esq.) acabou sendo
pouco aproveitado (Foto: Reprodução/Facebook) 
Três anos depois de deixar o Estado, Pedro Hulk estava de volta. Jogador de futsal por doze anos no Colégio Dom Bosco e com passagens pelas categorias sub-16 e sub-18 do Cene, o atacante chegou ao Novoperário em 2014 e, apesar do bom começo no galo tricolor, acabou sendo pouco aproveitado.

“Quando eu cheguei no Novoperário, eu carregava um nome de ‘ex-Palmeiras’, ai eu fiz três jogos e marquei quatro gols e não entendi o porquê, mas me colocaram no banco, não era mais utilizado, pra colocar jogadores mais velhos, de maior nome e não os jovens”, conta e recorda a primeira decisão de abandonar os gramados, em julho do mesmo ano. “Eu não tinha mais vontade de jogar no Estado. Me ofereceram para jogar a segunda divisão, mas eu já não tinha mais essa vontade porque eu tive problemas antes no Estado por conta de contrato e pensei: ‘é melhor eu trabalhar do que ficar jogando aqui sem receber ou ganhando uma mixaria’”, afirma.

A decisão durou até o início de 2015, quando voltou ao Novo, porém, uma cirurgia no apêndice o fez disputar apenas um jogo no estadual e rescindir com o clube. “Quando me recuperei eu abandonei a carreira novamente”.

Recomeço no Guarani e o ‘não’ do Comercial

Apesar do clube ja garantido na Série B de 2017, jogador
ainda não sabe seu futuro para o próximo ano (Foto: Ogol)
Após ficar mais 10 meses sem jogar profissionalmente, Pedro Hulk, convencido por um amigo, passou um mês em teste no Guarani, convencendo os avaliadores e assinando contrato com o Bugre em janeiro. “Eu encaro como uma chance de ouro. Desde que eu vim pra cá eu tenho isso muito bem claro na minha cabeça. O Guarani é um time muito grande, de camisa, de torcida, um dos maiores do interior e não considero estar em um time pequeno até porque é um time muito bom de jogar, pra tudo”, disse.

O retorno, no entanto, não seria imediato. Como a Série A2 do Campeonato Paulista tem limite de inscritos, o atleta acabou não estando na lista final, que o levou a tentar um retorno por empréstimo ao Estado, desta vez no Comercial.

“Entrei em contato com o Comercial e tive vontade de voltar, mas eles não demonstraram interesse e olha que eu exigi uma mixaria, mas eu tinha [parceiros do clube] quem pagaria meu salário. Falei pra eles negociarem com meu empresário, mas eles nem ligaram”, afirmou o jogador, que disse ter recebido sondagem também do técnico Ronildo Rocha, que estava no Novoperário, porém se negou “Eu perdi o gosto de jogar no Estado. O pessoal tem que se tornar mais profissional ai, fazendo um trabalho e mantendo uma estrutura profissional. Eu sei que falta muito investimento até por parte da Federação, mas tem muita coisa que precisa melhorar”, desabafa.

Sem poder disputar jogos oficiais até o início da Série C, o jogador passou meses apenas treinando, o que o fez ter de conquistar o espaço no elenco apenas no returno, quando jogou cinco jogos, sendo três como titular, marcando um gol, contra o Macaé, perdendo espaço no time apenas após novamente se lesionar.

“Eu fiz uma boa Série C. Joguei nove jogos e não fui aproveitado recentemente por conta de uma lesão. Fiquei um mês fora. Me recuperei na primeira semana do mata-mata, mas como nosso time é muito bom, o jogador que entrou no meu lugar entrou muito bem. O professor Chamusca gosta muito do meu futebol e disse que eu perdi as oportunidades porque eu machuquei”, conta o atacante de 22 anos.

Em nove jogos na Série C, Hulk balançou a rede
apenas uma vez (Foto: Reprodução) 
Na semifinal da terceira divisão e já com o acesso garantido, o jogador, que tem contrato até novembro, ainda não sabe se continuará no bugre, no entanto analisa seu ano como positivo e espera seguir melhorando. “Foi um ano muito bom pra mim. Fiquei um ano e meio sem jogar, retornei em um time de qualidade, com jogadores experientes, não tem como não amadurecer. Hoje eu não me considero mais um menino. Quando acabar a Série C devem aparecer algumas propostas pra eu ir para outro time. Tenho que continuar e ano que vem pretendo me firmar mais ainda”.

No primeiro jogo da semifinal da terceira divisão nacional o Guarani acabou derrotado por 4 a 0 para o ABC, em Natal, e precisa vencer por cinco gols de diferença para avançar à decisão. Apesar da difícil tarefa, o jogador aguarda apenas a definição da competição para voltar à Mato Grosso do Sul, de preferência com o título assegurado. “Se Deus quiser eu quero ir depois do dia sete de novembro, após a final”, conclui.
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