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Interditado desde 2014, Morenão foi palco de vários momentos inesquecíveis de Campo Grande, que completa hoje 117 anos

Estádio Morenão, em Campo Grande/MS (Foto: Apontador)


Não é porque seu presente é melancólico que devemos esquecer seu passado brilhante. Inaugurado em sete de março de 1971, o estádio Morenão não viu os primeiros 72 anos da cidade de Campo Grande, mas a partir dali, passou a proporcionar momentos que o fizeram ser palco principal dos melhores espetáculos esportivos que a capital sul-matogrossense vivenciou.

Campo Grande comemora nesta sexta-feira (26) seu 117º aniversário desde a emancipação de Nioaque, em 1899. Para comemorar, o Arquibancada MS fala um pouco sobre o estádio Pedro Pedrossian, o nosso Morenão, principal estádio de Mato Grosso do Sul, que, no entanto, não nos proporciona emoção desde outubro de 2014, quando foi interditado para não mais voltar até então.

História

Projetado por Avedis Balabanian e Ciríaco Maymone, arquitetos muito requisitados na época, o estádio ganhou o nome de Pedro Pedrossian, pois este era o governador do então Estado de Mato de Grosso na época de sua construção. Além do governador Pedrossian, o então presidente da Confederação Brasileira de Desportos (CBD), João Havelange, que pretendia utilizar o estádio na Copa da Independência, que seria realizada em 1972, entre seleções nacionais de diversos continentes, também foi incentivador da construção, ocorrida durante o governo militar de Emílio Médici.

Foi Pedrossian quem determinou que o estádio deveria ser construído dentro da cidade universitária, onde se localiza a Fundação Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), que hoje é a mantenedora do estádio. Sua inauguração aconteceu com a partida entre Corinthians e Flamengo, válido pela Taça Pedro Pedrossian, de caráter amistoso, vencida pelos cariocas por 3 a 1, gols de Murilo, Liminha e Buião, quem anotou o primeiro gol no estádio.

Grandes Jogos

Clássico Comerário (Foto: Raul Rodrigues)
Desde sua inauguração, o Morenão recebeu 25 finais do Campeonato Sul-Matogrossense, tendo em 22 delas o campeão dado a volta olímpica no estádio. O confronto que mais aconteceu em seus gramados foi o famoso clássico entre Comercial e Operário, o Comerário, que já decidiram 12 campeonatos estaduais no Morenão, dentre eles um Campeonato Matogrossense, em 1977, antes da divisão dos Estados. Além dessa decisão em 1977, outras cinco finais do torneio estadual de Mato Grosso também passaram pelos gramados do estádio.

Mas nem só de estaduais viveu o Morenão. O estádio recebeu diversos jogos da primeira, segunda e terceira divisão do Campeonato Brasileiro durante as décadas de 70 e 80. Grandes resultados, como a goleada do Operário por 5 a 1 sobre o Cruzeiro, em 1981, ou até a sobre o Palmeiras por 2 a 0, no Campeonato Brasileiro de 1977, partida que registrou 38.122 pessoas presentes, até hoje o maior público do estádio, traduzem a importância que esses gramados já tiveram para o futebol local e nacional.

O último grande público do estádio aconteceu em 2009, quando a Seleção Brasileira recebeu a Venezuela e empatou sem gols aos olhos de 23.746 torcedores.

Óvnis?

Em 6 de março de 1982, na partida entre Operário e Vasco da Gama, pelo Campeonato Brasileiro, um objeto luminoso e não identificado sobrevoou o estádio, marcando o episódio como o dia em que óvnis apareceram em Campo Grande. “No início do segundo tempo, um objeto estranho com uma luz muito forte sobrevoou o Morenão. Isso durou em torno de oito a dez segundos. Naquela época, eu trabalhava na bilheteria e fui até o campo levar aos repórteres a prévia de ingressos vendidos, foi quando me aproximei do gramado eu vi o objeto estranho” relatou ao O Estado Online, o funcionário da UFMS, Antônio Pontes Lima.

Em 2014, um grupo de estudantes de Jornalismo da universidade produziu um documentário sobre o acontecimento, ouvindo diversas versões sobre o caso. Confira.

O sonho da Copa do Mundo

Com a escolha do Brasil para ser sede da Copa do Mundo de 2014, vários capitais começaram, a partir de 2007, a realizar campanhas para ser uma das 12 cidades a receber partidas do maior evento de futebol do mundo. Campo Grande e Cuiabá duelavam para decidir quem seria a “sede do pantanal”.

Diversas melhorias foram projetadas, como a transformação do estádio em uma arena, enquadrada nos padrões da Fifa, reforma das arquibancadas, que seriam substituídas por cadeiras individuais, estacionamento ao entorno, além de diversas obras em Campo Grande, como implantação de metro e investimento nas áreas hoteleiras, de saúde e segurança pública. Ao todo, o projeto previa um gasto de meio bilhão de reais em obras. Porém, o estádio Verdão, em Cuiabá, foi o escolhido pelo Comitê Organizador do evento e nenhuma das modificações acabou se concretizando.

Demolir e interditar: a realidade atual

Rachaduras no estádio (Foto: O Estado Online)
Palco do futebol durante meio ano, sem reformas ou reparos, o estádio ano após ano se deteriorava, até que em outubro de 2014 o Ministério Público Estadual (MPE) interditou o tradicional estádio por apresentar problemas de estrutura.

Sem quaisquer sinais de solução para os problemas apontados, em fevereiro de 2015 veio a público um diálogo entre o médico e comentarista esportivo, José Luiz Mikimba, e o vice-reitor da UFMS e também médico, João Ricardo Tognini, onde foi exposto que “é pensamento de setores da Reitoria implodir o Morenão e construir algo mais útil para a sociedade, já que para colocar o Estádio em condições gastaria muito dinheiro”, conforme divulgou o site Campo Grande News.

Mikimba destacou ainda na época que a ideia surgira em 2013, visto as deficiências e custos do Morenão, afirmando que o estádio chegou a ser oferecido a iniciativa privada ou órgão estadual e municipal porém ninguém se manifestou devido aos altos custos.

Futuro

No início deste mês, surgiu a informação de que é objetivo do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul reabrir o estádio e coloca-lo na rota dos grandes eventos nacionais, trazendo partidas das grandes equipes da Série A do Campeonato Brasileiro para Campo Grande. Segundo o site Campo Grande News, a proposta é que o Governo faça todas as reparações necessárias, em troca receba a concessão de 10 anos do estádio por parte da UFMS.

“Um estádio precisa ter toda segurança e conforto para receber os torcedores, e o Morenão faz parte do patrimônio histórico da cidade e do Estado”, disse o presidente da Fundesporte, Marcelo Miranda.

A expectativa é que até o início do Campeonato Sul-Matogrossense de 2017 as reformas já estejam sendo executadas e que a gestão entre compartilhada Governo e UFMS já aconteça.
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